Ilustração e literatura infantil: um par perfeito!

Ilustração e literatura infantil: um par perfeito!

“Ler imagens é também uma forma de leitura. Assim, a partir da leitura de um livro de literatura infantil, podemos ir além do texto escrito, incentivando as crianças também a ‘lerem’ as ilustrações, estando elas alfabetizadas ou não.”

 

Olá, pessoal!

 

Na nossa última conversa, falamos sobre a importância de escolhermos um livro de literatura infantil observando com mais atenção o texto visual, considerando a valorização que a criança, naturalmente, dá para as ilustrações.
Dialogamos também sobre uma das grandes “sacadas” para sermos bons contadores de histórias, que se configura em mostrar/trabalhar a capa do livro antes de contá-lo para que as crianças tenham a oportunidade de imaginar e até mesmo de adivinhar o conteúdo da narrativa. Lembram-se?
Dessa maneira, as crianças são convidadas a viajar pelo mundo da imaginação. E ainda têm condições de perceber que nem sempre o que elas imaginam é o que o texto revela, pois a imagem pode trazer uma ideia e o texto falar de outra.
Então, hoje daremos continuidade ao assunto e falaremos mais sobre as ilustrações, devido à sua relevância para as crianças dentro da Literatura Infantil.
Vamos lá?

 

A ilustração na literatura infantil e os três tipos de obras

De acordo com Luís Camargo, importante ilustrador e escritor, na literatura infantil é possível identificarmos três tipos de obras:

  1. O livro ilustrado, em que a narração é realizada pelo texto escrito e as ilustrações aparecem esporadicamente, sinalizando uma ou outra parte do texto verbal.
  2. O livro de imagem, que constitui-se como uma narrativa visual, ou seja, um livro com imagens sequenciais que contam uma história por meio de ilustrações. Neste tipo de livro a predominância é das ilustrações. Na forma escrita temos apenas o título, o nome do autor, o nome do ilustrador, da editora, entre outros. A história em si é contada somente por imagens.
  3. O livro em que a narrativa é contada tanto pelo texto escrito como pelas ilustrações, ambos criando uma conexão verbal-visual, isto é, uma espécie de texto híbrido, porque transmite textos escritos e imagéticos.

Esse último é o tipo de obra com a qual temos mais contato dentro da Literatura Infantil, isto é, aquele em que o texto verbal e visual aparecem dialogando entre si.
No entanto, é preciso que nós e as crianças tenhamos em mente que, apesar de existir esse diálogo entre o texto verbal e visual, nem sempre a ilustração precisa retratar ou retratará exatamente o que o texto verbal afirma. Pois poderá apresentar apenas nuances do que está sendo lido para que se imagine.
Tomemos como exemplo desse aspecto uma história bem conhecida: “Menina Bonita do Laço de Fita”, de Ana Maria Machado. Quando a narrativa fala que o coelho casou e teve muitos filhotes, a ilustração não mostra o casamento, mas apenas os filhotes que é o que o texto visual mais precisa destacar.

 

Lendo as ilustrações

Dessa forma, podemos ter as ilustrações como possibilidades de análise. Se elas forem bem aproveitadas durante as nossas contações, levaremos as crianças a perceberem que ora texto e imagem conversam entre si, ora se complementam. No que se refere a essa complementação, ela ocorre quando o texto escrito pode falar sobre um objeto, um personagem ou uma cena que não está desenhada e, assim, o leitor é convidado a imaginá-la. Tal convite é essencial para que nossos (as) pequenos (as) não somente tenham a imaginação aguçada, como também sejam capazes de realizar analogias e abstrações.
Além disso, entender que as imagens são uma forma de perceber outras maneiras de comunicação nos auxilia a compreender esteticamente o mundo. Afinal, ler imagens é também uma forma de leitura. Assim, a partir da leitura de um livro de literatura infantil, podemos ir além do texto escrito, incentivando as crianças também a “lerem” as ilustrações, estando elas alfabetizadas ou não.
Diante disso, antes de finalizarmos essa conversa, preciso ressaltar o papel do adulto enquanto mediador/contador de histórias, em que esse precisa conhecer o livro que envolve o texto escrito e o texto visual, antes de apresentá-lo às crianças. Observando que, mesmo se elas não se sentirem dispostas a escutar a história porque não apreciaram as ilustrações, a capa, por exemplo, o contador terá condições de apresentar outras possibilidades para despertar seus interesses.
Afinal, um adulto que sabe o que representa a Literatura Infantil na vida das crianças conseguirá mostrar a elas que sempre que abrirmos um livro, algo acontecerá. Tenha ele cores opacas ou fortes, tenha ele desenhos grandes ou pequenos, ali está o texto visual e o texto escrito que poderá levá-la a mundos nunca antes imaginados!

 

Um grande abraço e até a próxima!

Janayna.

 

Nota da autora:
neste texto, entenda-se o termo “texto verbal” como sinônimo de texto escrito. Considerado que quando falamos em texto verbal, este pode ser oral ou escrito.

Referências:
CAMARGO, Luís. Ilustração em livros de literatura infantil. Glossário do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (CEALE)|Faculdade de Educação da UFMG. Disponível AQUI

 

 

 

 

 

 

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